sexta-feira, 20 de outubro de 2017

19 mandamentos da pedagoga Maria Montessori para os pais

1.    Crianças aprendem com aquilo que está a seu redor.
2.    Se você critica muito uma criança, ela aprenderá a julgar.
3.    Se você elogia uma criança com frequência, ela aprenderá a valorizar.
4.    Se a criança é tratada com hostilidade, ela aprenderá a brigar.
5.    Se você for justo com a criança, ela aprenderá a ser justa.
6.    Se você frequentemente ridicularizar a criança, ela se transformará em uma pessoa tímida.
7.    Se a criança cresce sentindo-se segura, aprenderá a confiar nos outros.
8.    Se você denigre a criança com frequência, ela desenvolverá um sentimento de culpa que não é saudável.
9.    Se as ideias da criança são aceitas regularmente, ela aprenderá a se sentir bem consigo mesma.
10. Se você for condescendente com a criança, ela aprenderá a ser paciente.
11. Se você elogia o que a criança faz, ela conquistará autoconfiança.
12. Se a criança vive em uma atmosfera amigável, sentindo-se necessária, aprenderá a encontrar o amor no mundo.
13. Não fale mal de seu filho ou filha, nem quando ele ou ela estiver por perto, nem se estiver longe.
14. Concentre-se em desenvolver o lado bom da criança, de maneira que não sobre espaço para o lado mau.
15. Escute sempre a seu filho e o responda quando ele quiser fazer uma pergunta ou comentário.
16. Respeite seu filho mesmo que ele tenha cometido um erro. Deixe para corrigi-lo depois.
17. Esteja disposto a ajudar quando seu filho estiver procurando algo, mas esteja também disposto a passar despercebido se ele já encontrou o que procurava.
18. Ajude a criança a assimilar o que ela não conseguiu. Faça isso enchendo o espaço que o rodeia com cuidado, discrição, silêncio oportuno e amor.
19. Quando se dirigir a seu filho, faça isso da melhor maneira possível. Dê a ele o melhor que há em você.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Carta aberta do Psiquiatra, pensador e escritor Augusto Cury

“Um homem emocionalmente asfixiado, insensível e paranoico chega em  uma creche com um galão de combustível nas mãos e um isqueiro. É a aproximação do inferno emocional em sua forma mais inumana. E quem se interpõe doando a própria vida para salvar as crianças? Uma professora, uma heroína anônima! Uma educadora que experimentou dores inenarráveis para salvar a vida de muitos pequeninos. Mas ela já fazia isso todos os dias antes da tragédia, dava sua vida pelos meninos, filhos dos outros, quando os ensinava a pensar! Para ela, a decisão de lutar com o assassino não foi difícil: a decisão já tinha sido tomada muitos anos antes, quando ela escolheu dar o melhor de si para formar seres humanos melhores, para dar esperança às crianças deste país que valorizam tão pouco seus mestres e seus alunos! Deveríamos aplaudir menos as celebridades e líderes e ovacionar muito mais os professores e professoras que pensam bem mais nos seus alunos do que no salário e nas condições estressantes de seu trabalho. Uma tarefa dificílima e de alto risco! Pois como debato no livro “O Homem Mais Feliz da História” a era digital transformou-se na era da ansiedade e ser mestre é ser um cozinheiro do conhecimento que prepara o alimento para uma plateia que tem pouquíssimo apetite! Muitos professores adoecem para que seus alunos tenham saúde emocional, adiam seus sonhos para que eles possam sonhar! Quem merece os prêmios Nobel, Oscar e Grammy? São os educadores! Muitos amam o que fazem até as últimas consequências! Mas passam imperceptíveis nessa sociedade onde um celular chama muito mais a atenção do que um mestre formado em décadas! Um computador jamais sentirá medos, solidão, angústias, dúvidas, por isso os educadores são insubstituíveis, somente eles poderão ensinar a viver!
Quanto tempo mais esses heróis e heroínas anônimos serão desprezados nesta falsa sociedade moderna? Quanto tempo mais esses governantes inescrupulosos vão se contentar em fazer discursos vazios no Dia do Professor? Até quando também pais insensíveis, em defesa de seus filhos sem limites, agitados  e pouquíssimo  empáticos desprezarão o trabalho e a autoridade dos professores? Quando esta nação vai acordar para a importância e para o sofrimento diário desses profissionais? É vital equipá-los socio emocionalmente, é fundamental ter uma educação menos conteudista, racionalista, que somente prepara os alunos para as provas, mas não para serem atores sociais, gestores de sua emoção, empreendedores e líderes de si mesmos! Pobre país que pensa que seu futuro está em máquinas e no capital e despreza seus alunos e seus mestres! Pobre país que não enxerga o assassinato coletivo da infância das crianças: elas têm tempo para tudo, menos para brincar, se reinventar e ter prazer de aprender! Não é sem razão que está havendo uma epidemia de transtornos ansiosos e suicídios! Pobre país em que uma professora precisa ser queimada viva para ser lembrada que era uma estrela no teatro social!
Pobre nação que não entende que quanto pior a qualidade da educação, mais importante será o papel da psiquiatria e da justiça! Ah, se acordássemos!!! Se investíssemos mais na educação e nos educadores veríamos fascinados  que muitos de nossos presídios se tornariam museus e muitos hospitais psiquiátricos se converteriam em conservatórios musicais!
O Mundo está em chamas, e o Brasil está doente! ”
                                                Augusto Cury

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A lenda do pássaro quero-quero

O quero-quero (Vanellus chilensis)
 é ave símbolo do Rio Grande do Sul 
Era uma vez um pássaro que vivia na floresta e não andava nada satisfeito com sua vida. Ele não sabia por que, mas todas as coisas que ele queria não davam certo. Ele era muito agitado e só sabia dizer “quero” para tudo e para todos. Sempre cantava muito alto e no seu canto somente se entendia a palavra “quero”. Quando entravam os outros pássaros, ele não sabia de que se tratava o assunto e ia logo gritando “quero”. Um dia ele achou que ninguém era amigo dele, e que todos queriam o seu mal. Ficou muito triste e saiu a andar pela floresta chorando muito. Mesmo chorando sozinho pela floresta gritava bem alto seu canto “quero”. Do alto de uma árvore estava o professor Coruja que, vendo aquele pássaro gritando tão alto e chorando muito, não se aguentou e desceu até o chão.
– O que acontece com você, pobre pássaro? Você quer ajuda? Perguntou o professor Coruja.
– Quero. Respondeu o pássaro chorão.
– Por que você grita tão alto? Você quer um amigo para conversar? Quer?
– Quero.
– Você quer parar de chorar e ficar alegre?
– Quero.
– Você quer sentar um pouco aqui perto da minha casa para conversarmos? Perguntava o professor Coruja, curioso pelas respostas do pássaro.
– Quero. Mais uma vez respondeu o pássaro.
O professor Coruja então parou e pensou: “Nossa, esse pássaro só sabe falar uma palavra e para tudo diz quero. Será que ele não sabe dizer outra coisa? Vou perguntar a ele o que realmente quer quem sabe com isso ele pare de cantar”.
– Pássaro, o que você quer?
– Quero. Respondeu o pássaro.
Então o professor Coruja novamente se surpreendeu com a resposta e disse ao pássaro:
– Meu bom pássaro, você não pode simplesmente querer as coisas. Para querer e obter algo na vida é preciso mais. Sempre precisamos ter duas vezes o querer. Você já pensou nisso?
Assim o pássaro que até então só gritava, olhou para o professor Coruja, parou de chorar e pela primeira vez se dispôs a escutar alguém.
– Quero entender isso, professor Coruja, disse o pássaro com brilho nos seus olhinhos.
– É muito simples – disse o professor Coruja. Para vivermos bem e felizes, precisamos querer duas vezes. Querer as coisas boas para nós, mas também querer as coisas boas para os outros que convivem conosco. Todos nós queremos respeito e, para sermos respeitados, precisamos respeitar os outros, ou seja, todos nós queremos ser amados, mas, para sermos amados, precisamos amar os nossos semelhantes. Com ar mais feliz o pássaro começou a entender o que acontecia e disse:
– Explique mais, professor Coruja.
– Veja, todos nós queremos proteção, não é verdade? Mas para termos proteção precisamos proteger. Nós fazemos isto quando cuidamos das coisas dos outros, então eles também cuidarão das nossas coisas. Se quisermos ter saúde, então precisamos também querer nos cuidar, querer nos alimentar bem e querer praticar esportes e querer dizer não.
– Como assim? – perguntou o pássaro, que nunca havia visto alguém falar em não querer.
– Sim, pássaro, às vezes é preciso não querer. Se você quer saúde, você não pode querer ser guloso, preguiçoso e, principalmente, você não pode querer drogas, como cigarro, a bebida e outras porcarias que só estragam a nossa saúde e a saúde dos outros.
– Ah! Agora entendi. O que realmente quero é ser feliz.
– E você deve querer ser feliz, falou o professor Coruja. Mas para querermos ser feliz é preciso também querer fazer os outros felizes. Quando fazemos os outros felizes, somos felizes também. E foi então que o pássaro alegremente disse:
– Quero-quero, quero-quero.
Despediu-se do professor Coruja com grande alegria e retornou para o campo onde morava. Até hoje esse pássaro chamado “quero-quero” vive alegremente nos campos chamando a atenção de todos com seu canto.
– Quero-quero, quero-quero…
Dizem que seu canto é para lembrar a todos que escutarem que é preciso querer duas vezes; querer o bem para si, mas também para os outros.