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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Elefantíase - mais perto da cura.


Uma equipa de cientistas dos Estados Unidos terminou 
recentemente a sequência genética do parasita que
provoca a elefantíase ou filariose, abrindo assim uma
nova esperança para a cura de uma doença que afeta
40 milhões de pessoas em todo o mundo, especialmente
nas regiões tropicais.
Trata-se da decodificação genética do Brugia malayi, um parasita que ataca o sistema linfático e que provoca doenças como a elefantíase, mas também a oncocerose, que pode levar à cegueira. Segundo o artigo publicado  na revista Science, uma equipa de biólogos do National Institute of Allergy, chefiada por Elodie Ghedin, sequenciou o genoma do referido parasita, um organismo nematóide (em forma de fio ou tubo fino) que pode alojar-se no corpo humano durante muitos anos até provocar enfermidades debilitantes e deformadoras como a elefantíase.
As doenças provocadas por este gênero de parasitas foram das primeiras reconhecidas pela ciência como sendo provocadas por picadas de mosquito. Esta descoberta remonta a 1866. Quando um mosquito pica uma pessoa infectada por Brugia malayi, o inseto ingere pequenas larvas do parasita que vai posteriormente depositar na pele de outra pessoa com nova picada.
Mas, também pela doença ser conhecida há bastante tempo, o fato é que os medicamentos existentes ainda hoje para o tratamento da elefantíase, por exemplo, têm várias décadas, sendo altamente tóxicos e apenas aliviando os sintomas da doença. "Ter uma completa impressão digital genética dá-nos uma melhor compreensão de quais são os genes importantes para os diferentes processos da doença, de forma a que possamos atingi--los mais eficazmente", refere Elodie Ghedin no artigo da Science.
O problema das terapias até agora usadas é que apenas atacam as larvas e não o parasita adulto. A longevidade deste último tem intrigado os cientistas ao longo das décadas. É que, após alguns anos alojado no corpo humano, o Brugia malayi, com uma enorme capacidade de reprodução (estima-se que cada fêmea tenha capacidade para gerar mil larvas por dia), engrossa as paredes  do  sistema linfático,  produzindo as deformações dos membros e o endurecimento da pele característicos da elefantíase.Os testículos e o pênis são outros órgãos que podem sofrer com o alojamento do verme.
O Brugia malayi  tem um ciclo de vida complexo que envolve outros dois anfitriões cujos genomas são já conhecidos, o que permite aos investigadores avançar na procura de novas formas de controle da doença.