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sábado, 6 de julho de 2019

A solidão dos pássaros aprisionados pela ignorância humana

Em sã consciência você não aprisionaria alguém inocente, correto? Não o imputaria culpa e nem ordenaria alguém a cumprir pena sem ter cometido crime algum, mesmo porque, você não é um juiz,  correto? 
 Entretanto, é o que vemos diariamente pendurados em janelas, pessoas transportando  suas gaiolas, levando seus animais para "pegar sol" de manhã, estranho, não?  Sim, se pararmos para refletir sobre essas pequenas atitudes danosas a outros, e nos colocássemos no lugar desses, talvez agiríamos com mais senso de justiça, reconhecimento e o principal, compaixão.  Há falta de total empatia hoje, onde não percebemos o mal que produzimos com essa atitude gerada pela ignorância, ganância e falta de inteligência. Se colocar no lugar dos outros nos faz um pouco melhor, e quando nos sentimos bem com isso, pode ter certeza que estamos agindo no caminho certo, aquilo que por intuição nos diz: é isso, isso é o certo! 
  Tirar um passáro possuidor de asas da natureza e o enclausurar dentro de uma gaiola de 30x40, onde resume-se sua vida em nada, só tem um significado, crueldade produzida por cegueira não física, mas, mental. Esses animais podem voar por quilômetros, atravessar municípios, estados, comer de todos os frutos que deseja e beber de todas as fontes. Mas não! Vai lá um ser que se diz racional, o captura, trancafia e depois vende, como uma coisa e não uma vida. Outro fator, o comércio lucrativo, que retira da natureza milhares e milhares de animais todos os dias, onde 1/3 chega com vida ao destino pelas  mãos de traficantes, isso por causa de um dos maiores defeitos da espécie humana, à ganância.
Engaiolando pássaros, você está privando seres de usufruir de sua principal característica que é a liberdade. Isso já fere todo contexto existencial desse ser, que tem sua vida amputada em sua maior qualidade que a natureza sabiamente lhe destinou e lhe deu sentido, e  por sinal,  deve ser maravilhoso.  Esses animais têm um papel fundamental no planeta,  dispersar sementes, distribuir sabiamente,  fazendo a polinização, assim, espalhando pólen colhidos das flores por onde voam, em um natural e equilibrado processo de semear vida por onde passam.
 Cada espécie de pássaros  pertence a uma região e são responsáveis naturalmente a reflorestar  áreas, comendo específicas sementes, que retornarão ao solo através das fezes, ou seja,  o ciclo biológico que nos faz vivos e toda forma de vida, são promovidas por esse pequenos seres. Nos fornecendo ar puro, sombra, bem estar ambiental, e todo tipo de suprimento para manter à vida na Terra. Lembrado também, seu papel fundamental no controle natural de vetores, exemplo: mosquitos, moscas, pernilongos e qualquer outro inseto, evitando que se tornem pragas, como por exemplo o transmissor da Dengue e suas vertentes. 

  
  Jota Caballero

"O que pensar dessas pessoas que têm pássaros engaiolados, coloca alpiste e água limpa, sentindo orgulho por achar que estão fazendo um bem enorme, para usufruir de um lindo canto, que na verdade é o grito de desespero desse pássaro?"

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

O pássaro cativo - Poema de Olavo Bilac



Armas, num galho de árvore, o alçapão
E, em breve, uma avezinha descuidada,
Batendo as asas cai na escravidão.
Dás-lhe então, por esplêndida morada,
Gaiola dourada;


Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos e tudo. 
Por que é que, tendo tudo, há de ficar 
O passarinho mudo,
Arrepiado e triste sem cantar?
É que, criança, os pássaros não falam.


Só gorjeando a sua dor exalam,
Sem que os homens os possam entender;
Se os pássaros falassem, 
Talvez os teus ouvidos escutassem 
Este cativo pássaro dizer:


"Não quero o teu alpiste!
Gosto mais do alimento que procuro
Na mata livre em que voar me viste;
Tenho água fresca num recanto escuro


Da selva em que nasci;
Da mata entre os verdores,
Tenho frutos e flores
Sem precisar de ti!


Não quero a tua esplêndida gaiola!
Pois nenhuma riqueza me consola,
De haver perdido aquilo que perdi...
Prefiro o ninho humilde construído

De folhas secas, plácido, escondido.
Solta-me ao vento e ao sol!
Com que direito à escravidão me obrigas?
Quero saudar as pombas do arrebol!
Quero, ao cair da tarde,
Entoar minhas tristíssimas cantigas!
Por que me prendes? Solta-me, covarde!
Deus me deu por gaiola a imensidade!
Não me roubes a minha liberdade...
Quero voar! Voar!


Estas cousas o pássaro diria,
Se pudesse falar,
E a tua alma, criança, tremeria,
Vendo tanta aflição,
E a tua mão tremendo lhe abriria
A porta da prisão...